quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Internet foi o principal trunfo eleitoral de Obama

Veja o comentário de Andreia Pereira sobre a eleição de Barack Obama.

A campanha eleitoral de Barack Obama, recentemente eleito Presidente dos Estados Unidos da América, distinguiu-se das anteriores pelo eficaz recurso à internet. A equipa de Obama criou um novo paradigma: a ciberdemocracia, na qual se apela à participação directa do cidadão. O uso do email passou a desempenhar um papel crucial na comunicação com o eleitorado, relegando a televisão para segundo plano.

Segundo Arianna Huffington, editora-chefe do The Huffington Post, “se não fosse a internet, Obama nunca teria sido presidente, nem teria sido nomeado pelos Democratas”. Obama conseguiu contornar o facto de ser relativamente desconhecido do público e de ter poucos recursos através da internet: à medida que se ia tornando mais conhecido, o rol de contribuidores aumentava e suportava todas as despesas.

A equipa eleitoral de Obama usou o email para contactar directamente com os eleitores. Eram enviados, em média, 1,5 mensagens por dia para as listas de emails, que contemplavam mais de 15 milhões de americanos. Em comícios importantes do democrata, os participantes só entravam se dessem o email. Quando chegassem a casa, já teriam à sua espera um email da campanha.

Obama usou as redes sociais, como Facebook, Flickr ou Myspace para chegar junto dos leitores. Desse modo, os eleitores sentiram-se protagonistas e não apenas espectadores. Graças a esta inovação, a campanha eleitoral conseguiu chegar a franjas mais jovens do eleitorado americano, que não costumam ter interesse em questões políticas.

Os jornais foram relegados para segundo plano, pela equipa de Obama: várias notícias importantes foram dadas, em primeira mão, pelo site oficial do candidato. Isto representa uma mudança de filosofia, principalmente em comparação com campanhas eleitorais anteriores, em que os jornais tinham a exclusividade de lançamento de matérias significativas.

Até mesmo a televisão foi posta de lado pela campanha eleitoral de Obama. A equipa do (ainda) senador do Illinois criou a página oficial do candidato no Youtube, onde foram introduzidos mais de 1800 vídeos. Também aqui foi inaugurada uma nova forma de gestão: ao apostar menos em anúncios publicitários, Obama poupou milhões de dólares. Surgiram ainda outros interessantes fenómenos, como a Obama Girl, criada por internautas apoiantes do democrata.

O financiamento foi engenhosamente planeado: a equipa de Obama baixou o limite mínimo de doações para 200 dólares, o que deu origem a milhão e meio de doações. No total, o analista Phil Noble prevê que Obama amealhe mil milhões de dólares em 2008, o que representa 14 vezes mais do que John Kerry recolheu há quatro anos atrás. A primeira página que qualquer internauta encontra, quando acede ao site oficial da campanha de Obama, é, precisamente, um formulário para fazer uma doação.

A forma como Obama recruta colaboradores e apoiantes através da internet exigiria, no passado, uma legião de voluntários e de pessoas para tratarem da organização, que teriam de ser pagas. A importância da internet para a campanha de Barack Obama apenas encontra paralelo em John Kennedy, que também usou, em 1960, uma nova e pioneira ferramenta comunicativa para chegar ao eleitorado, em vez dos jornais: a televisão.